Matera

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Christina Amaralpor Christina Amaral – Visitar a Itália é mergulhar

em aromas e sabores que nos proporcionam verdadeiras viagens sensoriais, esse país oferece centenas de pequenas cidades fora do circuito turístico tradicional. Escolhi conhecer Matera, pela sua arquitetura original e harmoniosa, pela sua gente simpática e seus hábitos saudáveis. A cozinha italiana é um capítulo a parte, que escreverei em outra oportunidade.
No dia que fui para Matera, acordei muito cedo, pois seria um passeio de um único dia, em Bari peguei o trem que tinha uma aparada na parte nova da cidade, fazia um tempo nublado e um pouco frio quando desci na estação e caminhei pela cidade até os Sassis (que em português que dizer pedras), as casas – quase cavernas – são escavadas nas montanhas, igrejas rupestres e museus, tudo isso num labirinto de pedras, de estreitas ruelas, becos e escadas, num sobe e desce interminável, que mesmo sem mapas, se perdendo ou se deixando levar ao acaso, em cada ângulo encontram-se detalhes de uma beleza envolvente.
É uma cidade muito antiga, sua origem é na pré-história, com casas que datam mais de nove séculos de existência e ainda hoje são habitadas, Patrimônio Cultural de Humanidade, localizada na Região da Basilicata, sul da Itália.

Fiquei impressionada com a visão do vale divido por um rio, das centenas cavernas/casas, uma cidade incrivelmente exótica. O turismo e artesanato local apresentam bonitos trabalhos de esculturas e pinturas rupestres. No ar se sente um odor verde de mofo e musgos depois da chuva nas escadarias. As habitações, antigamente, eram em grutas, cavadas nas rochas vulcânicas, o que fez Matera ser conhecida como a “cidade subterrânea”, onde o ritmo do tempo é outro, segue a lentidão da tranquilidade e da vida simples dos seus habitantes. Todos se conhecem, estão sempre do lado de fora de suas casas-cavernas, porque elas não têm janelas.Quase na hora do almoço começou a chover muito, as ruelas e escadarias viraram cascatas de água da enxurrada, me abriguei num atelier de um velho artesão e ficamos conversando sobre a chuva, sobre a arte e o tempo que segundo ele: “em Matera o tempo parou para sempre”.

Depois para começar a contar casos sobre o presépio vivo, personalidades da cidade e lendas locais foi num instante, rimos muito, principalmente por causa do dialeto local que era difícil de falar, ele ainda dividiu comigo seu almoço, uma focaccia e vinho.
Contou-me sobre as guerras e lutas que o povo de Matera vivenciou aos longos de 900 anos de história, uma cidade tão bonita e perfeita que parece cenário de cinema, falou ainda dos personagens, atores, diretores e dos mais de 30 filmes que foram rodados nos Sassis, sendo o último, o mais famoso, A Paixão de Cristo do Mel Gibson.
E o tempo que segundo a lenda aqui para, passou muito rápido. A eternidade aqui caminha pelas ruas, passeia pelas casas incrustadas nas rochas, pelas vidas dos seus moradores. Tudo em Matera vive num tempo quase atemporal, porque nessa cidade não se contam os dias, mas as festas, os acontecimentos, as estações do ano, as colheitas.

Se puder passe a noite na cidade, quedo for visitá-la, procure uma pousada ou albergue nos Sassi, na parte antiga e aproveite essa pequena viagem no tempo. Afinal viajar é nosso maior patrimônio e transporta a alma para além do nosso pequeno universo.

Como chegar: Até Bari capital da Puglia, pode ser de trem ou avião, de lá para Matera existe uma linha de trem e ônibus.
Dica: Vá com sapatos confortáveis, para poder andar bastante, na região chove quase sempre por isso é bom levar um agasalho impermeável ou guarda-chuva, alias quase todas as lojas de souvenir vendem esse acessório.

Revisado por Ana Kunde

 

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prepare para as muitas conversas e delicias da terra.

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